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Sejam bem vindos ao Meu Mundo Subjetivo!
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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A Princesinha Escondida



I

Era uma vez, num reino muito, muito...beeemm distante onde apenas se ouvia o silêncio.

Era naquele lugar que ela vivia. Era alegre, cantarolava, sorria...Porém ninguém a ouvia, não a percebia, fosse de noite ou de dia.

Ela era simpática, tratava todos com igualdade mesmo vivendo naquele reino dominado pela falsidade, das caras e bocas...quanta gente doida!

Ninguém a procura, todos a via. Então se perguntava: por que não lhes sorriam?

Povo mal educado, gente de pouca ou nenhuma sensibilidade, a deixava viver  na eternidade do vazio, no meio do tempo, a mercê do calor e do frio.

Estando a frente de tudo e de todos não queria ser enxerida, algum dia havia de ser percebida.


II

Sentindo-se sozinha, começou seu triste canto. Uma espécie de acalanto que a fazia adormecer, depois acordava mais disposta para lidar com tamanha indiferença. Pois nem só a tristeza  invadia seu viver.

Estava escondida onde todos a via, para iam a carregavam. Ela ia e voltava  quase sempre maltratada. Por que era tão incompreendida?

Coisa de gente esquisita...de quem  não se permite ver além do superficial, gente fora do normal.

A Princesa permanecia ali Escondida, num reino que não lhe cabia. Mas era ali que sobrevivia.Muitas vezes se encolhia.

Tão distante e tão perto daqueles que habitam o vale deserto, fazem  e acreditam no incerto. Pensam fazer o que querem, se soubessem que nada do que querem sabem querer...iriam preferir se esconder.


III

Gente que não se acredita, gente infeliz brincando de ser feliz. Castiga-se. Não sabe o que ver nem o que diz.

Ali passava seus dias, dias felizes, dias tristes, dias de real agonia.

Somente ela sabia que se faz real e imperiosa, a princesinha formosa sabe quão pode ser escandalosa no dia que as pessoas descobrir  que ser feliz é saber carregar amarguras sem perder a doçura de viver uma vida esperançosa. Perceber como a vida pode ser gostosa, mesmo com tantos ais e ideais.

Seu nome é FELICIDADE, não importa o quanto dure , traz luz e serenidade, momentos de plenitude. Pois ela não é um costume, é materialização da VERDADE.



....Frag-men-tos....Meus....

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Conto 4


Senhorita Hellefoa



Naquele dia a aula estava longe de ser tranquila, imaginava Senhorita Hellefoa, no primeiro ano os filhotes são curiosíssimos. Fazem cada perguunta! Que elefantaiada mais curiosa do reino animal! Mas ela não podia negar que gostava daquela agitação.



Hemilly, uma elefantinha de seis anos, quis saber porque lá na escolinha da igreja sua tia Juju conta uma historinha da blíblia e nela diz que o Criador fez primeiro as plantas, todas as florestas, os rios, o mar e depois fez um monte de bichos: sapos, cobras, bois, galinhas, onças e macacos, as girafas, os tamanduás...Para somente depois fazer uns bichos que são sua imagem e semelhança.



Senhorita Hellefoa ficou meio sem saber como responder. A esperta filhote percebeu seu embaraço e continuou contando um pouco da historinha da tia Juju. Falando que a tia lá da igreja contava sempre que o Criador preparou um lindo jardim para o casal de seres humanos - que ele faria depois de tudo que já havia feito.



Então do barro modelado com suas próprias mãos fez o primeiro homem, só que todo ser vivo tinha uma parceira e o homem não. Foi aí que o Criador pegou um ossinho das costelas do homem e conseguiu fazer uma linda mulher para governar a terra com seu marido. Juntos eles poderiam dominar os peixes, os passarinhos e as feras das matas. Mas que isso, poderiam se alimentar de muitos desses seres. Comer frutas de muitas árvores, plantar suas sementes e cuidar daquele perfeito jardim.



Senhorita Hellefoa ouvia tudo muito admirada, que elefantazinha danada! Na sua linguagem doce e tropeça de filhote contava toda a historinha com muita sabedoria. Conhecimentos que sua professora não tinha. Ou melhor, não estava habilitada para uma aula de ensino religioso sem interferência de seus próprios preconceitos nem conhecia tanto assim o livro sagrado dos cristãos.



De repente Hemilly parou e perguntou porque o homem foi feito à semelhança do Criador, pois nenhum outro bicho criado antes do homem, sua tia Juju dizia que foi feito parecido com ele.



 A Senhorita Hellefoa lembrou de uma parte lá da Bíblia que fala de uma serpente que seduziu a mulher e a convenceu de que comendo do fruto da árvore do conhecimento ficaria igual ao Criador e não morreriam como ele mesmo tinha dito para o casal.



Senhorita Hellefoa prosseguiu explicando que a serpente era muito inteligente e conseguiu enganar a mulher e seu marido, porque comendo do fruto daquela árvore proibida o casal de humanos, feitos à imagem do Criador começariam a pensar que podiam matar, prender os animais por não gostar deles e para ganhar dinheiro com a venda de bichinhos que precisam mesmo é ficar na casa deles. E até pensariam que podem criar outros seres vivos também.



O homem e a mulher não morreria comendo daquele fruto, como a Branca de Neve que comeu a maçã envenenada e dormiu por longos anos...Morreriam aos poucos, ficando doentes ou quando fizessem coisas não aprovadas. Quando  faz coisas ruins e feias a um irmão, quando enganar seu próximo, quando não conseguir desculpar uma pessoa por chateá-lo. Fazê-lo passar vergonha na frente de estranhos ou de conhecidos. Ou dizer coisas que não é verdade. O seres humanos morrem por causa da própria teimosia.



Depois disso a elefantaiada começou a falar sem escutar os colegas, cada um tinha alguma coisa para contar.Sobre pedir desculpas, obedecer aos pais, respeitar os professores...Enfim, todos queriam socializar momentos vividos na igreja, em casa, na escola, na rua...



No final, Hemilly falou para todos ouvir, como pediu a Senhorita Hellefoa: ( depois de organizar a turma : (um fala e todos escutam, esperando sua vez) que para ser semelhante ao Criador é preciso gostar de respeitar os pais e não fazer coisas chatas com os coleguinhas da escola e da rua onde mora. Porque ele não enganou o casal de humanos, quem fez isso foi a cobra. Todos a aplaudiu, a aula passou voando. Quando a Senhorita Hellefoa olhou o relógio, já era hora de terminar a aula.




....Frag-men-tos....Meus....




*Imagem do google editada

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Conto 3 ( Final)

Um tapa na cara




Amanda realmente desejava tentar  viver aquele  amor quase sufocante, do jeito dela tentou. Mas Jonas tem outros planos, continua fiel ao 'pegue e não se apegue'.
 Ela o compreende e mesmo o amando não consegue ver suas atitudes como aceitáveis. O que ambos nem imagina é que a vida deu-lhes uma oportunidade de aprender com o diferente, tudo tem um  sentido e para cada coisa um tempo determinado.
O tempo passava e  mesmo sem contato não conseguiam se desligar. Ele sabia que podia tentar, afinal na vida não se tem muitas certezas, de modo que já não sabia se Amanda era mesmo seu verdadeiro amor ou se a desejava porque ela não cedia facilmente. Por que com ela tudo era mais complicado?

"Boa tarde, vai pedir algo para beber? Aguarde um pouco e um garçom estará atendo ao senhor..."
Amanda, não vim beber nem comer. Quero falar com você e vou esperar lá fora."
"Jonas não sei que horas saio, hoje é sexta e o movimento começa a aumentar."
"Daqui a pouco sua colega chega e tô ali na pracinha esperando, viu?" 
"A gente ainda tem alguma coisa pra falar depois de tanto tempo?"
"Logo vai saber...já sabe, lá na praça."

Trinta minutos depois Amanda terminou seu expediente. E a praça era caminho de casa, não tinha jeito de evitar Jonas e a conversa tão urgente.
Ela caminhava a passos lentos imaginando o assunto que levou Jonas ao restaurante. E compreendeu que este fora o único jeito, já que ela não atendia seus recados nem suas ligações.
Os raios do sol pintava a rua e a águas calmas do rio em tons pálidos, deixando a paisagem urbana um tanto rústica, naquele final de tarde.

"Estou aqui, pode falar o que te trouxe ao meu trabalho hoje?"
"Há algum tempo recebi um convite pra trabalhar em Natal (RN), numa rádio fm...e aceitei há poucos dias, tô somente finalizando o contrato, não farei renovação."
"Muito bom, parabéns!"
"Amanda, nunca pensou em trabalhar na comunicação?"
"Já pensei e lido com gente o dia todo, faço comunicação... oral, escrita, gestual."
"Falo de ser radialista, como eu. Te conheci vindo jantar no restaurante em que você trabalha e sua voz foi a primeira coisa que despertou minha atenção."
"Já ouvi isso de outras pessoas, mas sou historiadora com o curso em fase de conclusão e recepcionista até aparecer algo dentro de minha área, concurso publico. Quem sabe no futuro..."
"É, quem sabe...?"
"Não vai mesmo me dizer porque precisou me esperar sair do trabalho?" 
"Vim me despedir, com calma pra ter o melhor de nós guardado pra sempre."
"Só posso desejar que Deus continue te abençoando e sucesso no novo ambiente de trabalho. Vou sentir falta de sua voz na programação local."
"Cadê seu namorado?"
"Não tenho ainda..."
"Posso te dá um beijo de despedida já que ele ainda não apareceu?"
"Tava bom demais pra ser verdade..."
"É somente um beijo. Por onde andará este homem que poderia ser seu namorado?"
"Anda meio ocupado, tentando ser feliz do jeito dele."
"Uma pena que nem sempre sabemos aproveitar as oportunidades e elas se vão..."
"Teve sua chance."
"Sei bem disso!Você muito é nova, tem uma vida pela frente..."
"E você acha que idade impede uma mulher de amar verdadeiramente um homem mais velho ou mais novo que ela?"
"Confio em você, mas as pessoas pensam mal, falam mal..."
"E dominam a vida alheia. Sendo assim, porque casais  com idade igual ou aproximada se traem ou não dão certo por qualquer outra razão?"
"Temos um jeito diferente de ver e viver a vida. Você nem deixava que eu ajudasse em despesas básicas, temos todas as diferenças possíveis."
"Nada contra, mas do seu jeito não dá, não aceito nem quero viver me mordendo de ciúmes. Não seremos felizes assim. E sobre aceitar que me ajudasse não é motivo pra brigar. Tem mais: amar não é modificar, moldar..."
"Amar e sentir o que sinto, mesmo com você me evitando.Vou te beijar, mesmo sem permissão e vai ser..."


O beijo foi dado com ternura. Ambos saboreavam o doce sabor daquele momento, ignorando a libido. 
Um beijo de amor, puro, sereno e cheio de interrogações que nenhum dos corações sabiam como responder. Somente o tempo trará a clareza necessária aos corações enamorados e calejados na  longa estrada dos sentimentos.


....Frag-men-tos....Meus....

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Conto 3 ( 2ª Parte)

Um tapa na cara



Jonas é um homem com pensamento livre, acredita poder amar qualquer mulher. Um amor de momento. Sem compromissos, sem explicações. Embora, seus conceitos entraram em conflito quando Amanda apareceu em seu caminho.
De repente, Jonas se viu preso ao carinho dela. Seus sentimentos mais puros são somente dela.
Percebeu que tem medo de fracassar mais uma vez num relacionamento sério, até porque vem de dois relacionamentos que terminou de forma um tanto dolorida, em cada um deles nasceram filhos que não têm a presença do pai como deveria ter. Dois filhos do primeiro "casamento" e uma filha do segundo. Todos adolescentes ( 19,17 e 15) e criados da melhor maneira que a situação permite. Ele sente-se incapaz de amar verdadeiramente.
A chegada de Amanda o deixou amedrontado. Pois ela é treze anos mais nova, tem uma menina com seis anos, estuda História e trabalha num restaurante, separada e linda. Tem sonhos e ele não quer impedi-la de voar alto para realizar seus mais profundos desejos.
Era para ser somente um momento, mas Amanda é admirável, fogosa, simples, linda. Aliás, sua simplicidade é o que mais o atrai. E Jonas é do tipo que não gosta de ser contrariado, não quer se prender, não gosta de dar explicações, detesta cobranças. Porém, um relacionamento pede explicações, o tempo todo.

"Oi gata!"
"Anda sumido menino malicioso!"
"Verdade, mais se quiser a gente pode se ver ainda hoje..."
"Hoje não posso gostosooo...marque pra...sexta..."
"Depois de olhar aqui meus compromissos de trabalho te ligo pra confirmar, certo?"
"Tudo certo e vê se não vai me dá bolo!"
"Que isso gata, não sou disso!"
"Pare de se enganar garanhão...pra cima de mim!"
"Somos adultos e você gosta..."
"Gosto muito e você é todo safadão!"
"Até mais tarde gata manhosa!"
"Te espero menino safado..."

Depois de desligar o celular, Jonas trocou o chip e ligou para mais uma moça, garantiu a companhia de logo mais, assim que saísse do trabalho iriam a um motel. Depois de um dia de correria, precisava se dar ao desfrute com uma linda gata. Era no que acreditava.
Olhou o computador, antes de desligar, resolveu abrir um álbum entitulado "Gente Importante" e nele viu seus filhos, familiares, amigos e Amanda. Isso mesmo! Ela faz parte de sua vida e circula no núcleo principal.
Ficou algum tempo revendo cada foto e sempre se demorava nas fotos de seus filhos e nas de Amanda, nas que estavam juntos e numa onde ela aparece sozinha à beira-mar, sentada na areia vestida de short e camiseta. Simplicidade que o encanta desde a primeira vez que a viu. Uma mulher jovem, sofrida e cheia de sonhos, no auge dos seus vinte e nove anos.
Terminado o momento nostálgico, ele escreveu uma mensagem de texto, selecionou vários números no celular e enviou. Terminada a ação ligou novamente para a moça com quem marcou o encontro, avisando que estava indo busca-la.
Antes de entrar em seu carro, recebeu uma mensagem de Júlia que dizia: "Cuidado antes de enviar seus SMSs, pois não sou uma de suas 'namoradas'. Se cuida menino abestado!"
Jonas riu com a brincadeira de sua filha, pegou o celular e reviu os números selecionados: Amanda também recebeu a bendita mensagem! Estava em apuros, resmungou consigo mesmo: "Sou mesmo um vacilão..."

"E então garanhão, vou mesmo levar mais um bolo?!"
"Só se for pra comer comigo!"
"Huuuuummmm...ideia tentadora, por isso amo você."
"É mesmo?"
"Venha logo...é sua última oportunidade!"
"Em cinco minutos chego mocinha apressada!"
"Te conheço safado gostoso!"
"Só mais um pouco e a gente cai na farra..." 
"Não vejo a hora...você não presta e eu te adoro!"
"Ainda bem princesa fogosa!"


....Frag-men-tos....Meus....

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Conto 3 ( 1ª Parte)

Um tapa na cara




"Oi, pode falar..."
"Aaahh...você botou o chip!"
"O quê?!"
"Desculpa, pensei tá falando com Julhinha...liguei errado nêga."
"Certo, isso acontece. Até logo!"
"Fica com Deus, viu?!"

Amanda desligou o telefone com total certeza de que a ligação foi mesmo por engano, já que tinham se falado há quase uma hora e ele se despedira dizendo está ocupado no trabalho. E agora liga por engano, pensando ter discado o número da filha, será?!
 Na verdade Jonas havia ligado para uma de suas conquistas ou possível nova conquista. A voz dizia tudo, principalmente por ter ficado sem graça ao reconhecer a voz da pessoa errada do outro lado da linha.
Ela já havia notado o lado garanhão de Jonas, no entanto ignorou seus instintos para se dá a chance de amar e de ser amada por um homem com muitos predicados. Mesmo com seu espírito de liberdade, de não se apegar mais que o necessário. Ele sabia perfeitamente sair das aventuras exatamente como entrou. Não se prendia mesmo. Tinha um papo seguro e igualmente mentiroso.
Amanda estava profundamente decepcionada e por outro lado consciente de que já tinha passado da hora de dá um basta naquela situação. Estava furiosa consigo mesma por ter ignorado seus instintos. Foi burra o tempo todo acreditando que seria diferente. Dizia para si mesma que fora muito pretensiosa.
Não era fácil esquecer tudo que viveram, mas aquela história já tinha dado tudo que tinha pra dar. A coragem que lhe faltava finalmente chegou.
Aquele telefonema por engano foi um tapa na cara de Amanda. Sim, ela despertou e colocou o ponto tão hesitado. Foi uma relação curta  e intensa, Jonas vivia sondando os sentimentos de Amanda. Enfim, uma relação de três meses com idas e vindas. Amanda estava feliz, ao menos se permitiu viver, amar  e ser amada de uma forma nunca imaginada antes.
Discutir o assunto com Jonas não era o caminho, ela já sabia que nunca chegariam a um consenso. Isso aconteceu tantas vezes. Era inultil, gastar energia com uma conversa que não passaria de "você quer ter razão sempre" e todo o blá-blá-blá já conhecido.

"Amanda, posso ir na tua casa?"
"Melhor, não."
"Precisamos conversar..."
"Nada de conversa, com você nenhuma conversa termina bem. Já que eu sempre me calo pra não continuar naquela de quem tem mais razão, quem sofre menos, quem faz mais confusão...chegaaaa!"
"Você que sabe...te ligo depois, quando sua cabeça tiver menos quente e você tiver disposta a me ouvir."
"Não vou mais te atender, não perca tempo comigo nem gaste créditos !"

Um mês se passou, nenhuma ligação de Jonas. Quer dizer...nenhuma ligação do número de contato conhecido, porque ele ligava com outros números e não dizia nada.
Foi assim que ela começou a perceber o quanto ele mentia, tinha vários chipes e ligava para muita gente na tentativa de conquistar, de manter a conquista...até aí problema nenhum. Só virou problema porque Jonas esqueceu de avisar que não era nada sério e assim tirou de Amanda o poder de escolher se embarcava com ele ou não na aventura.
Quase um ano depois Amanda resolveu atender ( pela última vez) a ligação dele, o que não garantiu que ele deixasse  de ligar  direta ou indiretamente para ela uma vez por semana ou a cada quinze dias.

"Nêga, você sabe que a gente se gosta."
"Mas isso não quer dizer que eu tenha de aceitar tudo, você me chama de burra de boca fechada..."
"Também não é desse jeito!"
"A gente não tem mais jeito, acabou Jonas."
"Vê como você faz julgamentos precipitados?"
"Mais que um motivo pra encerrar essa conversa e você esquecer que existo, vivemos o que era pra ser vivido. Que parte você não entendeu ainda?"
"Você duvida do meu amor por você?"
"Não...só entendi que você diz me amar pra me prender."
"Sabe que não é assim...nunca pensei que ia gostar tanto de você e isso é de todo meu coração que falo."
"Aproveite o tempo livre que você tem e vá fazer um curso de teatro, vai fazer muito sucesso!"
"Acha mesmo que vou esquecer você? Estamos afastados há quase um ano desde aquele telefonema e não tiro você do pensamento...?"
"Um dia a gente será apenas lembranças na vida um do outro..."
"Você sabe que te gosto, a gente se gosta...caramba!"


....Frag-men-tos...Meus....

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A Casa

A Casa



Entre as grades e os muros
     surge a casa
Bonita...imponente
     fora por um famoso arquiteto projetada!
Porém as paredes daquela casa
     esconde infelicidade
O seu ilustre proprietário
     faz uso de seu poder
Para defender sua filha de um amor errante
    assim trancada entre as grades e os altos muros
Seu coração não passa de um vazio escuro
    a frieza de pai faz a pobre moça
Acreditar que mais vale cada tijolo
     de tão bela casa
De nada vale tanto luxo
    seu proveito é desconforto
Um pai orgulhoso
    ver sua filha morrer aos poucos
    Entre as grades e o muro
          surge a casa
Bonita...imponente
          e pela tristeza ocupada.


....Frag-men-tos....Meus....

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Conto 2



Localizada no meio da ladeira, na terceira travessa, no bairro dos sonhos.
Nela vive duas lindas moças: Laís e sua mãe Judite. A primeira é adolescente, tem quinze anos. Já sua mãe está na sua melhor forma-idade. Uma beldade, mulher normal, recém-separada. Por isso mesmo é alvo de olhares e comentários maliciosos.
Sua janela vive semiaberta, dela é possível ver todo movimento no quarto. Que nos últimos tempos tem tudo, menos 'movimento'.
Na casa somente entra e sai mãe e filha, já que raramente recebem visitas.
Mas, a vizinhança não descansa e vivem esperando poder espalhar alguma notícia.
Para as pessoas é impossível que duas mulheres tão lindas vivam sozinhas, no sentido pleno da palavra. Mulher bonita e separada sozinha?
Bem, para as pessoas é fácil julgar. O difícil é colocar-se no lugar de outrem.
Certo dia, Judite estava deitada em sua cama usando apenas baby-doll, ouvia música e notou em certo movimento. Uma sombra que passava de um lado para o outro na calçada e demorava em frente a janela, mas de forma discreta. E através da cortina ele a olhava com curiosidade e cuidado.
Era seu vizinho, rapaz de vinte seis ou vinte sete anos, casado, que brincava com a filha de três. De um lado para outro na calçada da cobiçada vizinha. Mais velha cerca de dez anos. Não é um "monumento", mas está sozinha. Logo, se pensa que está a disposição de quem quiser. Basta chamar de linda. Será?
As pessoas queriam saber porquê  ela está sozinha, se o marido vai voltar ou se ela já tem uma outra pessoa. Especulações e desejo, a cabeça masculina fica cheia de fantasias. E a cabeça feminina de inveja e medo da concorrência cada dia maior. Como se precisasse ser solteira para 'atacar' homens com ou sem compromisso.
Judite fingiu não notar, o rapaz deu mais algumas olhadas e levou sua filha para dentro. Porque o sol já estava ficando alto e a menina precisava entrar para comer e tomar banho.
Naquele mesmo dia Judite saiu para passear no final da tarde, ao passar pela rua sentia cada olhar. Sentia que as pessoas esperavam ela passar todos os dias quando vai trabalhar. E nos dias que se veste para passear elas devem se  perguntar: "Quem essa mulher vai encontrar?"
Uma vez ao passar na rua, falou em voz baixa. Mesmo assim foi ouvida pelas pessoas que estavam na rua ou por elas passava:
"A Anita pensa que é poderosa. Poderosa sou eu que mal saio de casa e mesmo assim sou a mais vigiada!"
Laís soltou uma sonora gargalhada e seguiram rindo pela rua.
Não é fácil a vida de duas mulheres morando sozinhas numa casa, mesmo que não seja na terceira travessa no meio de uma ladeira. Serão observadas em qualquer rua ou tipo de casa. Principalmente pelas mulheres casadas.


....Frag-men-tos....Meus....





PS:
Imagem usada por Dryka ao formatar e publicar esta história no blog   http://suasenossas.blogspot.com.br
É só ir lá dá uma olhada nesta e em muitas outras publicações de outras (os) amigas (os) de nossa querida Dryka.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Conto 1

Com Ciúmes de Mim



Ela andava distante, às vezes tinha um sorriso no olhar. Isto me machucava. Em quem estaria pensando?
O ciúme corroía meu coração. Não admitia nem mesmo para mim, que eu poderia de algum modo está negligenciando os sentimentos dela.
Tratava-a hostilmente. Movido pelos pensamentos que povoavam minha mente. Era nisso que acreditava.
Ela nem sempre sorria. Muitas vezes a via chorar silenciosamente.
Não sabia como, mas queria me aproximar, lhe perguntar o motivo das lágrimas. E por medo da resposta permanecia calado. Querendo lhe abraçar e acabar com toda a agonia. Beijá-la. Dizer que estou sempre aqui... No entanto, pensamentos duvidosos afastam-me dela.
Enquanto escrevo este conto, ela assiste ao DVD da dupla sertaneja Thaeme e Thiago, cuja música se chama Deserto. Parei, ouvi  a música por algum  instante, comecei a refletir: desde quando criei entre nós esse deserto?
Vivemos sob o mesmo teto e já não a conheço. Se é que algum dia a conheci.
Por que tanto ciúmes dela?
Está mais velha e muito mais linda. Se dedica ao trabalho e a nossa vida. Mesmo assim, de algum modo me parece uma desconhecida. Nos tornamos estranhos dentro da nossa casa.
Decidi que prestaria mais atenção nesta moradora de meu mundo deserto, para juntos podermos encontrar aquele oásis que se perdeu no meio do caminho desses quase vinte anos de vida (quase) comum.
Ela olhou de lado e seu olhar encontrou os meus  olhos vidrados nela. Perguntou se eu queria ver o jogo. Respondi que não, assistiria mais tarde o telejornal. Percebi que seus olhos questionavam os meus.
 Eu  não a olhava com tanta atenção, não recordo desde quando.
Vinte minutos depois terminei meu conto. A seguir, fui até o sofá. Ela olhava a tela, mas seus pensamentos estavam dispersos. Falei ao seu ouvido: Amor vamos, tá na hora...amanhã acordamos cedo. Segurei sua mão e a puxei com cuidado.
Ela veio atônita, apenas se deixou levar pelo meu movimento de a levantar. Ficou de pé. Então a trouxe mais perto e lhe abracei. Ela me perguntou o que eu tinha. Por longos minutos não sabia o que dizer. Permanecemos abraçados por algum tempo, como sempre, ela falou primeiro meio preocupada.
"Fale meu amor, vai me deixar agoniada até quando?"
"Te amo tanto, você sabe, não sabe?"
"Se não soubesse já tinha deixado você, que pergunta!"
"É que andei delirando, pensando que  você podia tá pensando em outra pessoa."
"Tenho pensado muito nas pessoas que a gente se transformou. Sinto saudade de você, muitas vezes tão ocupado, não gosto de atrapalhar..."
"Você pode atrapalhar."
"Tentei e não fui bem entendida, na maioria das vezes..."
Ela estava coberta de razão, tentou mesmo, inúmeras vezes, me tirar da frente do computador, da frente da televisão. Organizou  passeios e acabou indo sozinha.
A ficha caiu!
Ela sorria lembrando da gente, as lembranças fazem seus olhos sorri.
Chorava decepcionada, não reclamava. Chorava em silêncio. Como a ignorei.
"Como fui tolo!"
"Por que diz isso?!"
"Estava ficando doente... com ciúme de mim."
Rimos da gente por algum tempo. Depois...bem, nem preciso dizer como foi depois naquela noite nem nos dias que vieram. Tudo começou a mudar ali.


....Frag-men-tos....Meus....