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Sejam bem vindos ao Meu Mundo Subjetivo!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Conto 2



Localizada no meio da ladeira, na terceira travessa, no bairro dos sonhos.
Nela vive duas lindas moças: Laís e sua mãe Judite. A primeira é adolescente, tem quinze anos. Já sua mãe está na sua melhor forma-idade. Uma beldade, mulher normal, recém-separada. Por isso mesmo é alvo de olhares e comentários maliciosos.
Sua janela vive semiaberta, dela é possível ver todo movimento no quarto. Que nos últimos tempos tem tudo, menos 'movimento'.
Na casa somente entra e sai mãe e filha, já que raramente recebem visitas.
Mas, a vizinhança não descansa e vivem esperando poder espalhar alguma notícia.
Para as pessoas é impossível que duas mulheres tão lindas vivam sozinhas, no sentido pleno da palavra. Mulher bonita e separada sozinha?
Bem, para as pessoas é fácil julgar. O difícil é colocar-se no lugar de outrem.
Certo dia, Judite estava deitada em sua cama usando apenas baby-doll, ouvia música e notou em certo movimento. Uma sombra que passava de um lado para o outro na calçada e demorava em frente a janela, mas de forma discreta. E através da cortina ele a olhava com curiosidade e cuidado.
Era seu vizinho, rapaz de vinte seis ou vinte sete anos, casado, que brincava com a filha de três. De um lado para outro na calçada da cobiçada vizinha. Mais velha cerca de dez anos. Não é um "monumento", mas está sozinha. Logo, se pensa que está a disposição de quem quiser. Basta chamar de linda. Será?
As pessoas queriam saber porquê  ela está sozinha, se o marido vai voltar ou se ela já tem uma outra pessoa. Especulações e desejo, a cabeça masculina fica cheia de fantasias. E a cabeça feminina de inveja e medo da concorrência cada dia maior. Como se precisasse ser solteira para 'atacar' homens com ou sem compromisso.
Judite fingiu não notar, o rapaz deu mais algumas olhadas e levou sua filha para dentro. Porque o sol já estava ficando alto e a menina precisava entrar para comer e tomar banho.
Naquele mesmo dia Judite saiu para passear no final da tarde, ao passar pela rua sentia cada olhar. Sentia que as pessoas esperavam ela passar todos os dias quando vai trabalhar. E nos dias que se veste para passear elas devem se  perguntar: "Quem essa mulher vai encontrar?"
Uma vez ao passar na rua, falou em voz baixa. Mesmo assim foi ouvida pelas pessoas que estavam na rua ou por elas passava:
"A Anita pensa que é poderosa. Poderosa sou eu que mal saio de casa e mesmo assim sou a mais vigiada!"
Laís soltou uma sonora gargalhada e seguiram rindo pela rua.
Não é fácil a vida de duas mulheres morando sozinhas numa casa, mesmo que não seja na terceira travessa no meio de uma ladeira. Serão observadas em qualquer rua ou tipo de casa. Principalmente pelas mulheres casadas.


....Frag-men-tos....Meus....





PS:
Imagem usada por Dryka ao formatar e publicar esta história no blog   http://suasenossas.blogspot.com.br
É só ir lá dá uma olhada nesta e em muitas outras publicações de outras (os) amigas (os) de nossa querida Dryka.